Ditos e Causos

Ditos, Causos, Memórias e Estorias da familia.

Eta Japonês!!!!

Estive ontem na casa da Tia Ana, e nós rimos muito de várias estórias.
Mas uma ela contou ontem, engraçadíssima.
Lá iam alguns dos irmãos Mesquita, de Tupã, onde acabava a linha do trem, para Lucélia, de jardineira.
Para quem não lembra, jardineira é um caminhão cheio de bancos na parte de trás, com as malas colocadas no teto do caminhão…

Quanto o caminhão ficava cheio, os matutos acabavam subindo no teto da caminhão, e iam, empoleirados, junto com as malas. Nessa viajem, um matuto japonês subiu no teto do caminhão, e estava empoleirado ao lado de um caixão, que seguia vazio para Lucélia (reposição de estoque?). Começou a chover e o japonezinho deu de entrar no caixão, para se abrigar. Foram subindo outros tantos matutos pelo caminho, até que o japonês resolveu abrir a tampa do caixão, para saber se acabara a chuva. Foi matuto pulando para os lados do caminhão, com o defunto vivo que saia dali…
Por falar em defunto, alguém se lembra da letra da música das caveiras que se amavam, magnificamente cantada e encenada pelo Tio Rubens????

Contribuicao: Bia, Causo: Tia Anna

De barriga na piscina.

Por isso que é bom juntar as recordações de todos, pq. o que marcou em um passa em brancas núvens com outros. Interessante a Ziza nunca ter comentado nada sobre Sorocaba. Pois vou contar mais uma e agora é com ela mesmo. Eu havia acabado de aprender a nadar e frequentávamos o clube Trujillo no centro de Sorocaba. Eu tinha mais ou menos uns oito anos e a Ziza me convidou para pular com ela de mãos dadas do trampolim que devia ter uns tres mts. -+. Pois fizemos isso, só que ela não largou a minha mão e como era mais pesada do que eu caiu na água primeiro me puxando junto com ela acabei caindo de barriga na água. Não sei como saí, só sei que levei um tempão enorme olhando p/ as pessoas sem conseguir puxar o fôlego e eles me sacudiam e eu olhava horrorizada para eles sem
conseguir respirar. Foi uma sensação horrível, mas finalmente devagarinho conseguí sair dessa e respirar totalmente. Vc. já imaginou o susto que a Ziza levou?

Tenho muitas recordações de Sorocaba, entre elas a do nosso cachorro
Fiel que ficava em baixo das jabuticabeiras,enquanto a gente ficava lá em cima, esperando as frutas cairem e que ele abocanhava-as no ar.

Tia Anna

O Porco

Eu tenho mais um caso da vó Cecília p/ contar:
Na época em que moramos em Sorocaba entre fins de 39 a meados de 42, a minha mãe p/ ajudar seu avô nas despesas da casa, comprava um porco de bom tamanho e depois contratava um “matador” pois o bicho vinha vivo. Nós morávamos numa chácara que foi a delícia dos meus 8 , 9 anos, trepada em jabuticabeiras e mangueiras e outras coisas, enfim essas coisas se der eu conto depois. Mas vamos ao porco. Lá vinha o homem e preparava o patíbulo do sacrifício do bicho que nós alvoroçados assistíamos interessadíssimos naquilo que ele ia fazer.(o homem gosta de sangue desde pequeno, né?) Depois amarrava o porco em cima dele e com uma facada certeira liquidava com o bicho numa vez só.
Certa vez sua avó comprou um porco enorme de mais de 100 kls. e contratou de novo o matador e de novo nos preparamos para assistir a mais um espetáculo.
Pois o mesmo foi amarrado aos guinchos e esperneando feito louco mas enfim dominado. Esse homem deu mais de 40 facadas no porco e o mesmo guinchando, não morria. Todo mundo já estava ficando incomodado com a falta de destreza do profissional. Enfim o porco se aquietou e como vcs. já devem saber a água fervendo foi espejada em cima dele para retirar a pele. Pois não é que o porco ainda deu uma última estremecida, alarmando todo o mundo? Ao ser esquartejado, verificou-se no seu coração quase todas as facadas que ele havia levado. Ficou registrado como caso único na estória de matança de animais, nunca visto.
Pois bem, entre outras tantas coisas que sua avó fazia (como goiabada, já nesse tempo) ela fazia lingüiça para vender. As tripas eram lavadas e colocadas para secar. Eram separados os pedaços pobres do porco e o resto era passado na máquina de moer carne, temperada e depois as tripas eram preenchidas com ela. Eram muito apreciadas pelas pessoas que compravam. As carnes nobres (não havia geladeira nessa época) eram enterradas na gordura do porco que já tinha sido derretida. Gostaram?
Eu nunca mais esqueci esse fato e até hoje não me conformo com essas
barbaridades.

Tia Anna

27 malas !!!

Na Aclimação, meu pai desconsolado espera sentado minha mãe que está
aprontando as bagagens de viagem p/ Lucélia. E ele vê 1, 2, 3, 4, e assim sem parar descerem os volumes com os quais eles viajariam. Parou no 27…. qdo. minha mãe apareceu ele disse desacorçoado: assim não dá, vou ter de contratar vários taxis só p/ levar a bagagem!….e minha mãe levantando os braços declara: não deu p´/ diminuir….. Enfim lá vão eles com as bagagens, alguns filhos menores e taxi para a estação da Luz. Alguém pergunta, vai dar
tempo, papai? falta tão pouco para o trem partir!
E meu pai com toda a calma dele diz: dá sim, que eu já estou acostumado. Dá direitinho e num é que ele tinha razão?! chegaram faltando um minuto para o trem partir. Não é preciso dizer que foi aquela afobação para por toda a bagagem mais os filhos em tão pouco tempo. O trem já estava começando a se movimentar e a tarefa ainda não havia terminado e minha mãe mto. aflita dando pulinhos de nervoso. Um homem vendo acena, pressuroso quis ajudar e colhendo minha mãe pelas costas preparou-a p/ jogá-la dentro do trem na primeira oportunidade. Aí, ela gritou: Ai pelo amor de Deus, eu não
vou!!!!!!!!!!

Tia Anna

Feijão da Vovó

Kiko, você se lembra daquele feijão esquisito que a vovó fez quando você morava com ela, na Paulista? Ela já não enxergava direito e cozinhou, temperou e, prá não deixar de ser a vovó Cecília, comeu. Imagine se ela ia desperdiçar o amendoim que cozinhara pensando que fosse feijão… hahaha.

Eu não cheguei a tanto, mas não admito desperdício. Fico indignada, quase como ela. Só não consigo comer manga amassada… vocês se lembram?

O que comemos de bigato em forma de suco de goiaba, em Lucélia, não deve ser brincadeira. hehehe.

Kiko,
E aquela vez, em Lucélia, que você e a Ana vieram correndo, um de cada lado, e deram uma ponta na piscina? Foram parar os dois no pronto-socorro com a cabeçada que deram no ar… hahaha.

Elisa

Focil de rato

Certa vez, a vovó estava em casa, sentada em um dos sofás que tinham vindo de Lucélia, quando deu por falta dos óculos.
E o neto escalado para fazer o resgate de dentro do sofá, fui eu.
– retirei um molho de chaves antigo – uma carteira de óculos mais antiga, perdida de longa data.
– os óculos da vovó.
– Empolgado, fui pesquisando mais. Minha mãos encontraram algo diferente que trouxe “à tona”.
Era um esqueleto de um pequeno camundongo, morto em Lucélia ainda, anos antes. Todos se lembravam de um cheiro horrível em certa ocasião, sem identificar a fonte…
Estava ali, preservado como em um museu, para horror da Tata, da vovó e demais.

Marcia

Foguetes do Serginho

Teve uma época que o Serginho encasquetou de fazer foguete de canudo de papelão, colocar pólvora e ascender.
Ele enchia o foguete de pólvora e uma bolinha de algodão pra polvora não sair. Ele colocava o foguete na borda da piscina (em Lucelia), fazia um caminho de pólvora e de dentro da piscina (vazia) ele ascendia e corria pro outro lado. Depois ia procurar o foguete no meio do pomar pra soltar outra vez.
1- Uma vez ele colocou um algodão mto grosso e o foguete não ascendo na hora, ele foi chegar perto pra ver e o bicho ascendeu qdo ele ja estava pertinho… quase matou o capeta de susto.
Segundo problema:
2- Uma outra vez, o foguete ja estava meio deformado, qdo o bicho
ascendeu, subiu um pouquinho e virou pra dentro da piscina.
Imagina a cena do Serginho fugindo do foguete.

Não lembro quem mais participou disso, alguem lembra?

Kiko

Ditos da Vovó Cecilia

– “tetéia” eu nem lembrava mais.
– “que coisa cacete” – sem qualquer segunda conotação, a não ser a de algo realmente chato …vovó era puritana…. (Claudio)

Lembrei de mais uma expressão da minha mãe qdo. ficava escandalizada com alguma coisa : Hom’essa…!!!!!!!!!!!! (Tia Anna)

Outro:
– Misericórdia!
A Cláudia (minha irmã), quando tinha dois ou três anos, respondia: “Eu não sou Milicódia, não!” Me lembro dessa cena na casa da Al. Tirió. A vovó se divertia e adorava repetir a palavra para ouvir a Cláudia reclamar.
Tinha também “merci”. (Elisa)

Didi, nunca mais arranque uma folha de planta!

Publicado em 05/Jan/2012
Eu tenho uma lembrança de Lucélia dos meus … 7/8 anos, mas com o Vovô Mesquita:
Engana-se quem pensa que ele tão calmo, não dava suas broncas. Eficazmente!
Era dia de “catar manga”. Estávamos todos lá. Aquela meninada barulhenta entrava e saía pela porta da frente da casa, no meio de uma manhã calorenta, com as mãos cheias da fruta. Recordo que ao lado daquele portal havia um grande vaso de hibisco, ou coisa parecida, e cada vez que eu passava por ele arrancava uma folhinha do vaso. Era tão verdinha e tão opulenta a planta, que tornou-se irresistível para mim. Precisava arrancar mais uma a cada passada. Na varanda, ao lado do vaso, dormitava o Vovô numa rede grande. Na entrada eu arrancava uma folhinha e na saída também. Arrancando na ida e arrancando na volta, muitas folhas. O cheiro de planta acentuou-se, e eu adorando aquilo fui maltratando a planta cheirosa até que… uma mão ossuda e grande agarrou-me pelo pulso no ato! Uma voz grave a acompanhou mansamente mas, com inarredável doçura então ouvi: – “Didi, nunca mais arranque uma folha de planta!” Sem voz e devastadamente grudada no chão obedeci. Até hoje!!!


Didi.

Balas para presidiarios

Eu tenho muito carinho pela vovo Cecilia. Sempre vivi proxima a ela.
Tenho muito orgulho de ter o nome dela. Sei que ela era uma batalhadora.
Ja contei esta historia no orkut, mas gostaria que ficasse registrada no
site.

Num Natal, nao sei se ela fez alguma promessa ou o que foi, ela resolveu
fazer balas para os presidiarios. Isto foi no apartamento da vila Mariana,
que ela morou antes de ir para o apto da Paulista. Alguem falou para ela que
na penitenciaria do Carandiru cabiam uns 1000 presos. Ai ela fez as contas e
chegou a conclusao de que seriam precisos 10 receitas de bala para fazer 10
balas para cada preso…ou qualquer coisa assim. Bom, quando o trabalho ja
estava bastante adiantado, ela resolveu ligar para a penitenciaria para
saber com mais precisao quantos presos eram…e eram mais de 5.000…Foi uma
correria, ela pos todo mundo embruhando bala e a producao foi a todo vapor
ate o Natal, mas cumpriu a meta de mandar um pacotinho para cada preso. E
por alguns anos, ela fez balas para os presos. Convocava os netos mais novos
para ajudar e qualquer um que chegasse, entrava no trabalho. So parou quando
nao dava mais para fazer e ai ela resolveu comprar bala pronta para
mandar…


Ciça